Sou uma mulher cheia de ideais, convicções, determinações e todo radicalismo que o universo me deu. Tenho muito orgulho de ser assim num mundo onde ninguém se importa. Eu visto a camisa, vou fundo, desbravo os limites conhecidos e me faço muito feliz assim.
Mas há em mim o que seja negociável. Algumas vezes só descubro isso quando chega a situação, sempre inesperadamente...
E foram tantas as vezes que me abri ao novo e a novas perspectivas que não me sinto mais segura em dizer "nunca" diante de nada nessa vida.
Costumo dizer que para que eu pague a língua, basta que eu afirme ou negue qualquer coisa. E desta vez não foi diferente...
Saída de dois longos (longos mesmo) relacionamentos, o último recentemente, parei e vi que passei metade, e a melhor metade (porque na outra, eu era criança), da minha vida envolvida com dois homens apenas.
Dois homem que me ensinaram muito, mas que não eram o homem da minha vida, apesar de eu ter ido muito longe na crença de que um deles era.
Ambos me ajudaram a ter experiências únicas. Um deles me tornou mulher, o outro foi o melhor amigo que tive na vida e o grande amor até aqui. E mesmo após tudo que vivemos, hoje lhes tenho gratidão, mas nunca deixei de pensar do que estava abrindo mão, me comprometendo tão cedo e não conhecendo outra vida, além daquela que me mandaram viver.
Então neste último ano eu fiz TUDO que uma mulher antes sufocada deve fazer. Descobri a natureza de uma maneira ativa, fazendo trilhas, montanhismo, conhecendo ilhas, praias, fazendo travessias, dormindo dias em barracas, carregando peso, caminhando muito mais do que minhas pernas pensavam ser capazes... Usando sempre o lema "Se eu tenho medo, eu faço" e assim acabei com quase todos os medos físicos que senti até hoje.
E acabei de vez com minha baixa auto-estima crônica, cultivada desde a infância.
Estar solteira e poder fazer o que eu quisesse abriu meus horizontes. Meus limites se ampliaram vertiginosamente. E tudo pelo simples fato de eu precisar visceralmente descobrir quem eu era.
Sei que essa é uma missão pra vida toda, mas posso garantir que agora, neste ano, eu descobri mais sobre mim do que reunindo tudo que aprendi em toda minha vida.
Acertei, errei, avancei, recuei, provoquei, me apaixonei, encantei, magoei, chorei. Mas ciente de que cada uma de minhas lágrimas e cada um de meus sorrisos foram essenciais para minhas conquistas pessoais e ser quem sou agora.
Sou profundamente grata por este ciclo que se abriu pra mim.
Então, eu decidi que ficaria sozinha por muito tempo a partir daí. Por isso comecei a pensar em criar este blog... Ir contando as minhas aventuras a desconhecidos era uma idéia que começava a me atrair demais.
E como solteira convicta e feliz, costumava dizer que só encontraria meu velhinho no baile da terceira idade, ou quando um estivesse escorando no outro pra ambos não caírem doentes.
Cheguei a ser bem ríspida com pessoas que não vivem sem um companheiro, que não sabem ficar a sós consigo mesmas. Pois nunca entendi como alguem poderia procurar sua metade, se já somos feitos inteiros.
Acho que no fundo, nunca procurei alguem que me completasse, mas que me transbordasse.
Tive muita vontade de me apaixonar neste período. Até me apaixonei. Os homens de maneira geral se encantam pela minha coragem e pelo tipo de vida que levo, mas sou intensa e livre demais. Muito poucos são capazes de viver no limite diariamente. Esses poucos eu encantei, mas, por algum motivo, não nos levamos adiante.
Eu estava muito convicta de que não era mais a hora de me prender, me escravizar, me anular. Passei tanto tempo enterrada numa vida de abnegação que desejei viver a vida de solteira, como nunca experientei. E ser muito feliz assim. Cheguei a dizer algumas vezes que "nunca mais".
A maldição do "nunca mais"....
.... Até que, de uma situação estranha e inesperada, surgiu alguém que invadiu e transbordou meu ser.
Como outrora eu achava que deveria ser.
Disse as coisas certas, fez as coisas perfeitas, sentiu o que era pra sentir, exagerou na dose certa e assim chegou ao ponto. O tênue e exato ponto de me conquistar. E não só me conquistar por eu não querer ser conquistada, mas por admirar a "eu" que mais gosto de ser.
Ele não é perfeito, mas é meu príncipe. Traz uma alegria inexplicável à minha vida. E me faz sentir uma garotinha, me dá vontade de ser a Madonna em Like a Virgin.
Gosto do que temos e o que temos intenso, íntimo e só nosso. E decidimos, os dois trintões, namorarmos escondido.
Mas ele é meu príncipe HOJE.
Ou enquanto isso durar.
Mas não vou deixar de viver só porque pode terminar.
Não sei o dia de amanhã. Não acredito mais em "para sempre", mas gosto de divagar sobre isso. Seria uma delícia se meu "para sempre" começasse agora.
OU não!
Tudo o que sei é que nessa vida não existem garantias. Nada de apegos. E só o que posso viver é o agorta, intensamente. Dar tudo de mim ao que é, não ao que foi nem ao que será.
Escutar canções de amor bem alto, abrir a janela do carro e deixar que o vento me descabele e quase me sufoque, subir até o monte mais alto só pra dizer que consegui, fazer amor com toda minha essência suave e selvagem com alguem que veja através do que quero ser, que veja quem sou. E ame mesmo assim.
Então decidi que quero viver algo alem da liberdade que conquistei. Mas posso me entregar a alguem que valha a pena. E ele vale.
Desta vez quero sentir a plenitude de amar e ser amada sem medo e sem limite. Ser tomada nos braços como uma virgem do seculo XV. Porque o que sou mesmo é o amor da minha própria vida. E só por isso posso amar outro alguém com tanta verdade.
E o que for, será. Não tenho medo nem certeza. Um dia de cada vez, mas como se fosse o último. Disso não abro mão.
E só posso fazer isso porque agora eu sei que sou minha, só minha. E não de quem quiser. Sou deus, tua deusa, meu amor...

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